14.6.15

O Sol é para todos - Harper Lee

Oi pessoal.
Hoje eu vim falar sobre o último livro que li. O último mesmo, terminei de ler essa madrugada - porque não consegui dormir enquanto não terminei. E olha... que livro maravilhoso ♥ 


O título original é To Kill a Mockingbird, escrito em 1960 pela autora norte-americana Harper Lee. É um dos mais importantes clássicos da literatura e vencedor do Prêmio Pulitzer em 1961, um ano após a sua publicação. Vendeu mais de 40 milhões de cópias ao redor do mundo, foi traduzido para mais de 40 línguas e em 1962 virou um filme que também foi premiadíssimo: Oscar de melhor ator para Gregory Peck, Melhor roteiro adaptado, Melhor trilha sonora, Melhor roteiro adaptado, entre outros. Ele também foi escolhido pelo Library Journal como o melhor romance do século XX e eleito pelos leitores do Modern Library um dos 100 melhores romances desde 1900.
Perceberam que essa história não veio ao mundo de bobeira, né?

Todo marcado kkkkk
Tratava-se de um livro raro e esgotado, até que algo extraordinário aconteceu.
A editora HarperCollins divulgou a notícia que chamou de um “acontecimento literário extraordinário”: a autora Harper Lee vai publicar um segundo romance 55 anos depois de seu clássico "O sol é para todos".
Uma amiga e advogada de Lee, encontrou o manuscrito junto com os originais de ' Sol é para todos' e convenceu a autora de que ele merecia ser publicado. Lee se disse surpresa ao encontrar o manuscrito após tantos anos, tinha se esquecido da existência dele e ficou muito em dúvida quanto a publicação. Ela pediu a opinião de amigos e pessoas próximas e graças a essas pessoas, o livro será laçado.

A nova obra que vai se chamar "Go Set a Watchman", foi escrita nos anos 50 e estava guardada até hoje porque Lee, que hoje com 88 anos, dizia-se satisfeita com o sucesso do primeiro livro e não achava o manuscrito tão bom quanto ele. O novo livro trará personagens que conhecemos (e amamos) no primeiro livro na fase adulta (minha adorada Scout ♥) e deve chegar ao mercado literário em Julho de 2015 (tá pertinho, socorro). Por isso também a minha "pressa" em falar logo dele aqui no blog: para que vocês tenham a oportunidade e o prazer de ler esse livro maravilhoso antes. Sim, porque graças a essa notícia bombástica no mundo literário, a Editora José Olympio (obrigada, seus lindos) relançou o clássico 'O Sol é para todos' numa edição linda e novinha em folha (vejam as fotos ao longo do post)! 
"Se você aprender um truque simples, vai se relacionar melhor com todo tipo de gente. Você só consegue entender uma pessoa de verdade quando vê as coisas pelo ponto de vista dela. Precisa se colocar no lugar dela e dar umas voltas."
O livro conta a história da pequena Jean Louise (ou Scout), seu irmão 4 anos mais velho Jean e seu pai, o advogado Attticus. A história é narrada pelos olhos de Scout, que é uma menina esperta e inteligente (queria pra filha), sempre atenta aos acontecimentos ao seu redor. Scout e Jean são órfãos de mãe e foram criados pelo pai e pela empregada negra, Calpúrnia. Eles moram Maycomb, um condado no sul dos Estados Unidos e a história se passa nos anos 30, logo após a Grande Depressão.


É impossível não se apaixonar pela Scout e sua curiosidade e ingenuidade. É bom lembrar que no começo do livro, ela tem cerca de 6 anos. Como a história é contada por ela, a narração tem essa característica inocente e muitas vezes o leitor já compreendeu o porquê de certas injustiças e convenções, enquanto Scout ainda tenta compreender. O tema central do livro é trabalhado através da compreensão que ela vai tendo do que acontece ao seu redor. 
“Tia Alexandra era obcecada pelas minhas roupas. Como eu podia querer ser uma mulher elegante usando suspensórios masculinos? Quando eu disse que usando vestido eu não conseguia fazer nada, ela retrucou que eu não devia fazer nada que exigisse calças compridas."
Scout conta as aventuras e travessuras que aprontou junto de seu irmão e do melhor amigo Dill. Eles exploram o perfil da sociedade naquela época, suas peculiaridades e seus defeitos. A cidade tem um terrível perfil antiabolicionista e as crianças tem uma dificuldade de entender as injustiças que presenciam. 
Scout, Jean e Dill passam o verão juntos. Um dia, resolvem descobrir porque o vizinho Arthur Raddley vive recluso e nunca é visto. As crianças bolam planos mirabolantes e fantasiosos para fazer Arthur sair de casa. A partir desse acontecimento (Scout acha que foi a partir disso), a história se desenrola para uma série de acontecimentos e o leitor se vê envolvido em uma história racismo, discriminação, preconceitos históricos e direitos humanos.


Para colocar ordem nessa balbúrdia com o vizinho, temos Atticus que é um homem justo e um super pai para as crianças, que o amam e respeitam mais do que qualquer coisa no mundo (e eu também).
Atticus é advogado e vive uma rotina tranquila, mas se envolve num caso polêmico que acaba mudando a sua rotina, das crianças e de toda a sociedade local. Sociedade essa, que é extremamente preconceituosa e vive um período histórico que foi muito difícil para os negros. Era (ou é?) uma realidade muito cruel e injusta. Nesse cenário, Aticcus é nomeado para defender um negro, Tom Robinson, acusado de estuprar uma mulher branca. O comportamento dos moradores de Maycomb muda drasticamente, as pessoas mostram seu pior lado e tudo isso é acompanhado pelo olhar de Jean e Scout. As crianças e seu pai se tornam alvo de descriminação por causa de Tom Robinson.
"-Quase todo mundo acha que está certo e que você é que está errado.
-Essas pessoas têm o direito de pensar assim, e têm todo o direito de ter suas opinião respeitada - considerou Atticus - Mas antes de ser obrigado a viver com os outros, tenho que conviver comigo mesmo. A única coisa que não se deve curvar ao julgamento da maioria é a consciência de uma pessoa."
'O Sol é para todos' é um livro atemporal e discute situações que poderíamos muito bem estar lendo nos jornais de hoje. Uma vez que começamos a ler, nos vemos envolvidos com a história e não conseguimos largar. A narrativa é fluida, a linguagem é simples e é muito fácil de acompanhar. Os personagens são muito bem construídos, tanto os principais quanto os secundários. Você quase pode supôr a reação que terão na página seguinte após um ou outro acontecimento de tão bons que são. Eu sempre me interessei por esse livro, mas como disse no começo, ele era esgotado e difícil de encontrar (e quando encontrava, custava caro). Nesse caso, a fama faz a cama e tudo que se fale dele ainda é pouco.
Desde o título 'To kill a Mockingbird' que faz todo sentido na narrativa (e se você prestar atenção, é a mensagem do livro) até a questão filosófica central (que também encaixa perfeitamente no nome traduzido da obra), passando pela humanidade e o caráter de Átticus transmitido para seus filhos e o amadurecimento de Scout e Jean, arrisco dizer que é o melhor livro de 2015 e um dos melhores que já li na vida. Será difícil que um outro livro o supere tão em breve - talvez o próximo de Harper Lee... Será?

“As coisas sempre são melhores pela manhã” 

Eu estou ansiosa pelo lançamento do próximo livro! E vocês?

7.6.15

Entrevistando Fernanda Nia

A Entrevista

Fernanda Nia é a autora do supersensacional site "Como eu realmente", que não canso de dizer, é um dos mais legais que eu acompanho.
Para quem não conhece o trabalho da Fernanda, a sua série de tirinhas mostra uma menina chamada Niazinha que tem uma imaginação fértil e gosta de coisas que muitas de nós gostamos: internet, docinhos e gatinhos ♥ A Niazinha expõe nas tirinhas como as coisas acontecem e como ela realmente as imagina ou como gostaria que acontecessem. É fácil se identificar e se apaixonar pelas histórias e situações que lemos.

No ano passado, eu estive no lançamento do Volume 01 do 'Como eu realmente' e contei toda pagação de mico a experiência aqui. Vocês lembram? Caso não estejam lembrados, cliquem aqui porque teve tietagem, aparição em vídeo e tudo o mais.
Quando soube do lançamento do Volume 02, tive uma ideia estúpida incrível de criar um conteúdo bacana aqui para o blog. Falei com a Fernanda, ela topou (ai gente, sério, muito fofa) e eu fui lá, munida de câmera, coragem e muita vergonha gravar um vídeo com ela ♥

Assim nasce a primeira entrevista aqui do Expresso com essa linda da Fernanda Nia, direto do lançamento do seu segundo livro: Como eu realmente - Volume 02!

Algumas considerações antes do play:
Pessoal, esse é o primeiro material em vídeo que eu produzo para o blog. Com ele, vieram alguns erros e acertos que vocês vão perceber ao longo do vídeo. O principal é que tive um problemão pra editar o áudio por gravar sem microfone em um local movimentado. A área onde a livraria me autorizou gravar, ficava muito próxima ao café e isso dificultou ainda mais a minha vida. Ou seja: pre-ci-so de um microfone. Isso significa que só farei vídeos e entrevistas para o blog quando conseguir trocar meu equipamento. 
Peço desculpas por não ter ficado perfeito como eu gostaria, eu não consegui acertar o foco 100% (óbvio, não estava vendo) e bom, é isso.
O vídeo não ficou como eu tinha sonhado, mas a Fernanda foi tão fofa, que além de querer apertar muito ela, tive que dar um jeito de postar aqui para que vocês tenham a mesma vontade ♥


Minha opinião sobre o livro:


Essa edição está tão caprichada quanto a primeira, Editora Nemo como sempre de parabéns.

Em comparação ao volume 01, eu gostei muito desse novo livro pela abordagem.
Fernanda Nia trabalhou de forma leve sobre assuntos como: preconceito, feminismo, haters e o livro está cheio de comentários legais da autora sobre esses assuntos.
Fora que as situações que a Niazinha vive são super divertidas.
Me identifiquei muito com uma tirinha onde, não concordando com a opinião de uma pessoa, a Niazinha faz exatamente o que eu faço quando isso acontece: passa direto preocupada com o almoço =D
(Digo e repito: Dá pra discordar do coleguinha sem odiá-lo por pensar diferente, pessoal! Juro bem juradinho!)


Assim como no livro anterior, o volume dois também segue o formato do site: as tirinhas vêm acompanhadas por comentários super divertidos da autora. 
Por exemplo, na tirinha sobre viagens, gostei muito do comentário que ela fez: "É bem mais prático ter uma mala hipercolorida e espalhafatosa que uma cinza e sem graça. Quando eu preciso encontrá-la na esteira do aeroporto, por exemplo, é só seguir a trilha de blogueiros de moda desmaiados pelo chão". Sério, gente, como não amar essa mulher? hahaha


Com um humor sutil e o traço que conquistou tanta gente, Fernanda conseguiu manter o mesmo padrão do livro anterior. Essa edição está super divertida e impecável. O humor dos quadrinhos é sutil, inteligente e nada escrachado. É o tipo de coisa que você lê e se identifica. Acho que todos nós temos a imaginação um pouco esquisita também. O livro tem uma parte dedicada aos leitores, uma brincadeirinha tipo "Onde está Wally?", só que com a Niazinha.
Além disso, essa edição também tem uma surpresa (que eu amei): uma parte em HQ. Ou seja, uma historinha corrida, diferente do formato das tirinhas ♥


Ou seja, resumindo: Fernanda Nia arrasa! Comprem, leiam e divirtam-se antes que a Srta Garrinha conclua seus planos de dominação mundial e sejamos obrigados a ser seus súditos fiéis :)





Classificação: 5 Capuccininhos

6.5.15

Passarinha - Kathryn Erskine


Livro bonito, bem construído e com o poder de aquecer o coração de quem lê? Tá tendo!
“Embora eu não gostasse da empatia ela é uma coisa assim que chega sem avisar e faz você sentir um calorzinho gostoso no coração.”
Passarinha foi o primeiro livro que li em 2015 e ao pensar em trazer uma resenha para o blog, não pude pensar em outro. Ele é tão lindo, que a minha vontade é comprar vários e sair distribuindo.

A autora,  Kathryn Erskine, ganhou vários prêmios com esse livro, inclusive o National Book Award 2010.
Kathryn mora no estado da Virgínia, onde aconteceu um massacre na Virginia Tech University, em 2007. A autora ficou profundamente chocada com o acontecido. Ela queria entender como uma família sobrevive a uma tragédia como esta, então ela relacionou a história da violência, o impacto que um caso assim causa na vida das pessoas e de uma comunidade e como uma criança com necessidades especiais lidaria com algo assim.
Em Passarinha, a personagem principal tem a síndrome de Asperger, assim como a filha da autora. Seu objetivo sempre foi que as pessoas compreendessem melhor como é o mundo através dos olhos de um portador da síndrome de Asperger. A menina do livro não é a filha de Kathryn, mas ela emprestou várias coisas que vivenciou com a filha para a personagem. Se você quiser entender melhor o que é essa síndrome e como ela afeta a inteiração social de seus portadores, clique aqui.
Ou melhor, dediquem 4 minutinhos do seu tempo para ouvir a própria autora explicar um pouquinho:


Passarinha é um livro de sutilezas e simplicidades cativantes.
Antes de iniciar a leitura da narrativa, existe uma nota de esclarecimento da tradutora, Heloisa Leal, explicando a construção da autora: o jogo de palavras, a existência de palavras com letra maiúscula no meio das frases, a ênfase de como as palavras representam o pensamento da personagem, as relações de simetria entre palavras iguais com significados diferentes e tudo o que torna esse livro uma experiência única de inserção em um mundo tão diferente do nosso.

Como o grande objetivo de Kathryn era que as pessoas pudessem enxergar o mundo como Catlin, a personagem principal, enxerga e assim entender melhor o mundo do portador de Asperger, o livro é contado em primeira pessoa.
Isso significa que Passarinha é um mergulho na mente confusa de uma criança com Asperger. Você só vai saber o que ela sabe, você só vai entender o que ela conseguir entender.
E é aí que a essência do livro se revela.
“Eu gosto das coisas em preto e branco. Preto e branco é mais fácil de entender. Cor demais confunde a cabeça da gente.”
Caitlin tem apenas dez anos e tem síndrome de Asperger. Ela está enfrentando uma grande tragédia familiar e precisa lidar com isso, além de ajudar o pai a superar perdas irreparáveis. Mas Caitlin não sabe como fazer isso. Muitas coisas ela não consegue entender, mas sabe que algo precisa ser feito para que possam seguir suas vidas.
O título original do livro é Mockinbird, em referência ao filme “To Kill A Mockingbird” (O Sol É Para Todos). O livro faz várias referências ao filme e é também um jeito que Devon, irmão de Catlin, usa para que a irmã entenda determinadas coisas. O irmão a chama pelo mesmo apelido da menina do filme, Scout. A família de Devon e Catlin é igual a do filme: um pai que cuida sozinho dos filhos porque a esposa morreu. Essa referência facilita a compreensão que Catlin tem da própria família. 

A gente tende a pensar que os autistas não sabem conviver com as pessoas, mas a verdade é que as pessoas é que não sabem conviver com eles. Querem exigir que eles  se comportem e tenham atitudes como as nossas e por muitas vezes tentamos ensinar coisas que, se pararmos pra pensar, não fazem muito sentido nem para nós mesmos. Por exemplo, como você quer ensinar uma criança a manter o controle se você perde a paciência com ela e não consegue se controlar?
A autora nos mostra como a paciência é importante e mais do que isso, como as palavras tem o poder de construir pontes e elos.
Para Catlin é difícil "captar o sentido" do que as pessoas querem dizer. Ela não gosta de olhar nos olhos das pessoas, não gosta que invadam seu espaço e nem que toquem nela. Catlin gosta de ler livros e dicionários porque considera eles mais fáceis de entender - ao contrário das pessoas, livros não mudam de opinião. 
Graças ao dicionário, Catlin lê a palavra "desfecho" e ao tentar compreender o significado, se convence que é exatamente o que ela e seu pai precisam: um desfecho. Mas ela não sabe como conseguir isso e nem como fazer esse desfecho acontecer, mas está determinada a alcançá-lo de qualquer jeito.
O bom dos livros é que as coisas do lado de dentro não mudam. As pessoas dizem que não se pode julgar um livro pela capa mas isso  não é verdade porque a capa diz exatamente o que tem dentro. E não importa quantas vezes você leia aquele livro as palavras e imagens não mudam. Você pode abrir e fechar os livros um milhão de vezes que eles continuam os mesmos. [...] Livros não são como pessoas. Livros são seguros.
Catlin sabe que é diferente das outras crianças, mas não se sente tão diferente assim. Ela sabe que tem dificuldades que precisa enfrentar, mas não aceita ser chamada de "doente". A determinação que ela tem de enfrentar os próprios limites e superar a si mesma a todo instante, é de uma força comovente.
Tentando ajudar o pai a superar a dor que ele sente, Catlin acaba por descobrir o próprio caminho e a si mesma, descobrindo um novo modo de perceber o mundo, relações de amizades, cores, empatia...  Sua visão de mundo é comovente e cativante, apesar de toda a dificuldade que ela enfrenta para entender o mundo, as pessoas, as relações e a si própria. É um livro fascinante e cheio de ternura que encheu meu coração de amor. É emocionante, podem acreditar em mim porque eu não posso deixar de recomendar a leitura dessa obra de arte!

E... Gente... E essa capa maravilhosa? Eu fiquei apaixonada! ♥ Palmas para a Editora Valentina que fez um trabalho lindíssimo!
O ninho, a menininha encolhida no ninho, as cores da capa, a diagramação... Não dá muito mais prazer de ler um livro quando a capa é linda assim? Ao olhar essa capa, a contracapa e a primeira página que lista todos os prêmios que a autora ganhou com ele, uma curiosidade fulminante me consumiu e eu tive que comprar. Devorei o livro em três dias e lamentei quando acabou!
Com palavras simples e contando a história de um jeito extraordinário e inovador, Kathryn Erskine me conquistou num nível, que eu queria ir lá na Virginia dar um abraço nela!

Passarinha não é um livro depressivo, é triste, mas é uma tristeza que é muito bonita. Você tem a exata sensação que a personagem principal está te ensinando alguma coisa muito valiosa, que vai te fazer evoluir de algum modo.
Acima de tudo, é um livro sobre compreender as diferenças entre o mundo que você vê e o mundo que outras pessoas vêem.
É um livro encantador sobre o quanto nossa vida pode ser melhor se aprendermos a compreender uns aos outros.

Classificação: Cinco capuccininhos


Ps: No site da autora (kathyerskine.com) existe um rico material sobre autismo e síndrome de Asperger, endereços úteis, links para artigos, fontes de pesquisa e vários materiais para educadores que trabalham com crianças especiais. Fica a dica!

29.4.15

Problemas De Um Leitor

Oi gente.
Sei que prometi e não cumpri, porque abandonei o blog mais uma vez!
Midesgulpem! Não vou nem fazer mimimi, só midesgulpem mesmo!


Pois então, já que aqui estou e não tenho assunto nenhum, resolvi atender pedidos tipo como se eu fosse gênio da lâmpada, cantora de churrascaria ou atendente de fast-food.
Minha amiga Deny me mandou essa TAG dizendo que eu deveria responder porque é a cara do blog.

Então tá então, bora lá.



1. Você tem 20 mil livros para ler. Como você decide o que vai que ler?

Mediunidade. Coloco a mão na capa, se a energia vibrar, é aquele!
Mentira, eu nunca sei. Fiz um TBR JAR (To be read) pra fazer sorteio, mas logo no segundo já estava burlando.
Ainda não desisti dele, mas no momento estou numa vibe "ler mulheres", então estou lendo a mulherada escritora na minha estante. E também com uma certa tendência a ler os últimos comprados, porque venho adquirindo coisas incríveis - modéstia à parte!

2. Você está no meio de um livro, mas não está gostando. Você para ou continua?

Então.. Tipos... Se eu não estiver gostando eu não chego até o meio do livro. E se eu cheguei no meio, pro fim é só mais meio, então, leio. Mas não insisto em leitura que estou achando ruim não. Não descarto, pode não ser o momento para aquela leitura. Tem livros que só gostei quando peguei pra ler anos depois de ter tentado... Acho que essa parte é mais transcendental mesmo. Fica meio hippie eu falando assim, mas...

3. O fim do ano está chegando e você está perto, mas não tão perto de finalizar sua meta de leitura. O que você pretende fazer e como?

Ops, essa TAG deve ser antiga, porque o fim do ano não está chegando. Não agora, pelo menos não tão rápido.
Mas respondendo a pergunta: who cares? Rs. Eu acho que sequer faço metas de leitura, aliás. Devia fazer? Vocês fazem? Como é, alguém me conta?

4. As capas de uma série que você ama são horríveis! Como você lida com isso?

Não lido, as capas das séries que eu amo são lindas ♥
Bom, tem aquele box Millenium (Cia das Letras) que as capas pretas com imagem de chamas na edição mais recente são mais bonitas que as coloridas da edição anterior. Porém, eu gan-hei o box da edição anterior, então não piro muito. Não vou gastar dinheiro comprando livros que eu ganhei, certo?
Eu cogito recomprar livros que já tenho quando a minha edição é com capa de filme (argh), mas fora isso...
Mas por exemplo, o último livro da minha trilogia Fronteiras do Universo, eu comprei de novo por causa do formato (tinha comprado pocket por engano, enquanto os outros eram normais).

5. Todo mundo, incluindo sua mãe, gostam de livro que você não gosta. Como você compartilha esses sentimentos?

Who cares? ¯\_(ツ)_/¯ Cada um na sua, é só não se meter nos meus livros que tá tudo certo ♥

6. Você está lendo um livro e você está prestes a começar a chorar em público. Como você lida com isso?

Não lido. As pessoas que tem que lidar, ou não. Aliás, as pessoas não tem que lidar nada, tem é que ficar cada um na sua e me deixar chorar com meu livro em paz - porque eu choro mesmo, sem pudor.

7. A sequência do livro que você ama acabou de sair, mas você esqueceu parte da história anterior. Você lê o anterior novamente? Pula para a sequência? Lê uma sinopse ou resenha? Chora de frustração?!

Antes eu ficava muito frustrada, mas hoje eu já sei que minha memória vale de nada mesmo e não tem remédio. Porém até acho que tenho a memória boazinha para livros. Ou melhorzinha. Ou só me iludo mesmo. (Olha, um bom modo de lembrar das histórias lidas é fazer resenhas e postar num blog - estou com várias resenhas pendentes aqui no blog #facepalm) Cada caso é um caso, no entanto. Eu acho que se eu amo o livro, não vou ter esquecido completamente dele. Pelo menos eu prefiro acreditar nisso. Se couber no caso, releio. Se não, leio uma resenha, uma sinopse - ás vezes isso é o suficiente pra reativar a memória.

8. Você não quer que ninguém, NINGUÉM, pegue seus livros emprestados. Como você educadamente diz às pessoas NÃO quando elas perguntam?

Assim ó:
-Me empresta esse seu livro?
-Não!
Simples assim. Me desculpem os ofendidos, mas eu não empresto não. Posso listar milhares de motivos, mas vamos trabalhar com um só: não sou obrigada! hahaha

Se eu quiser ser educadinha, eu até explico que tenho ciume, que não lido bem com a angustia de ter algo que me é precioso em outras mãos, que posso indicar onde vende baratinho, que já tive livros depredados, livros que não voltaram e etc. Mas geralmente ninguém me pede livro emprestado porque a fama precede o dono. então ¯\_(ツ)_/¯

9. Déficit de Atenção. Você não conseguiu ler os livros que queria no último mês. O que você faz para voltar a ler mais?

Me olho no espelho e digo três vezes: se você não ler mais vai ficar burra, se você não ler mais vai ficar burra, se você não ler mais vai esquecer o português e ficar burra. Ou algo parecido.

10. Há muitos livros novos que foram lançados e que você está morrendo de vontade de ler! Quantos deles você realmente compra?

TODOS hahahaha De um jeito ou de outro, num momento ou no próximo, eu compro. Não gosto de ficar passando vontade literária. Tem "quereres", "desejos" e "necessidades", sabem? São diferentes. os quereres, compro quando der, compro mais pra frente, procuro em grupos de trocas e doações, vejo se acho em feirinhas. Os desejos eu vou comprando e riscando de uma listinha. Agora, para os que são necessidades, ascendo uma vela para Nossinhora do frete grátis e faço promessa pro Santo Buscapé para encontrar o caminho mais barato até que ele chegue na minha casa. 

11. Depois de ter comprado os novos livros que você tanto queria, quanto tempo eles ficam em sua prateleira antes de você realmente ler?

Essa é uma pergunta cruel. Eu me policio, brigo comigo mesma e me ponho de castigo porque não consigo ler o tanto que gostaria. Sei que perco tempo vendo bobagem na internet e nas redes sociais, mas eu também trabalho o dia todo e faço faculdade à noite. Geralmente leio na faculdade quando chego antes da aula, nos ônibus que pego (porque moro longe e o caminho é sempre longo) mas reconheço que preciso ler mais. Com isso, shame on me, muitos livros ficam lá esperando eu concluir um pra serem lidos. Mas eu me esforço, juro, não me julguem!


Bom é isso. Se tiver alguma outra tag ou meme que vocês gostariam que eu respondesse, me falem aqui nos comentários que eu respondo - desde que não seja sobre coisas polêmicas (tipo mamilos) ou escabrosas (tipo política). Ou não. 



Créditos da Tag:
Vídeo da Inesbooks https://www.youtube.com/watch?v=sCud1uazK-0
Original https://www.youtube.com/watch?v=7SfhSV-L3eo
Quem traduziu https://www.youtube.com/watch?v=ZOuF6tplcio

8.3.15

Oito Mulheres para Ler

Não ia ter post, não ia ter nada. Mas enquanto eu copiava uma matéria da faculdade, tive uma ideia e aqui estou ao invés de estar estudando. Foco: tem mas acabou!
Me amem, não me julguem.

Toda a preguiça que eu estava de fazer um post sobre o dia internacional da mulher virou euforia ao pensar que, ao invés disso, podia vir aqui e indicar mulheres incríveis para vocês lerem.

01-Malala Yousafzai


Malala, a paquistanesa que foi baleada na cabeça pelo Talibã porque queria estudar e não se calou diante dos absurdos que os terroristas fizeram no Vale do Swat, onde morava. Malala tinha apenas 15 anos e quase pagou o preço de querer estudar com a vida. Poucos acreditavam que ela sobreviveria, mas nem uma bala na cabeça pode detê-la. Malala é a pessoa mais jovem a ganhar o prêmio Nobel da Paz. Menina corajosa e admirável. Ela vem de uma cultura onde a mulher não tem voz, mas nem por isso Malala se calou.
Em seu livro "Eu sou Malala" publicado no Brasil pela Companhia das Letras, a jovem conta como o Talibã invadiu o Vale do Swat e todos os absurdos que aconteceram no Paquistão. A maioria preferia se calar, mas Malala e seu pai sequer abaixaram a voz. A campanha da jovem virou uma campanha internacional e Malala é uma das 100 pessoas mais influentes do mundo segundo pesquisa da Time.
Hoje em dia, Malala vive na Inglaterra, onde foi internada durante seu tratamento e recuperação, mas não esconde de ninguém o desejo de voltar para sua terra, apesar das ameaças de morte que recebe caso faça isso. Após ganhar o Nobel da Paz, a estudante-ativista declarou que um dia deseja ser primeira ministra do Paquistão. Se eu fosse vocês, não duvidava dessa menina.

"Os extremistas têm mostrado com o que eles querem travar sua luta: contra uma garota com um livro."
Caso ainda haja alguma dúvida, aconselho assistirem o video abaixo:


Livro: 
Eu sou Malala (2013) - Malala Youzafzai e Christina Lamb (Companhia das Letras)

02- Chimamanda Adichie


Conheci Chimamanda durante uma disciplina no meu primeiro ano da faculdade e fiquei apaixonada por ela desde então. Chimamanda é uma premiada autora nigeriana, considerada uma das mais importantes vozes da literatura afriacana. Quando começou a escrever, ela reproduzia o tipo de história que estava acostumada a ler nos livros americanos. Quando conheceu a literatura africana, ficou apaixonada e decidiu escrever sobre aquilo que conhecia: seu país, sua cultura. Chimamanda logo percebeu que a maioria dos livros sobre a África que os leitores do mundo inteiro conhecem, são feitos por autores que não são africanos - e com isso, uma imagem nem sempre verdadeira é passada sobre a África. Em busca de mudar essa perspectiva, ela deu uma palestra no TED sobre "Os perigos de uma história única".
Suas histórias não-únicas tem tomado grandes proporções e se tornado cada vez mais conhecidas.

Negra, escritora, nigeriana e feminista, em outra oportunidade no TED, Chimamanda falou sobre feminismo na palestra "We should all be feminists" (Todos nós deveríamos ser feministas) e seu discurso foi publicado em um livro pela Companhia das Letras. Além disso, a cantora Beyoncé incorporou várias frases desse discurso em sua música Flawless, trazendo mais notariedade para Chimamanda.
Ela fala de cultura africana, de racismo, de educação, de feminismo, de construção de gênero... e ela pode falar sobre o que quiser que eu vou querer parar para ouvir ou ler.

"Meu editor nigeriano e eu começamos uma ONG chamada Farafina Trust. E nós temos grandes sonhos de construir bibliotecas e recuperar bibliotecas que já existem e fornecer livros para escolas estaduais que não tem nada em suas bibliotecas, e também organizar muitos e muitos workshops, de leitura e escrita para todas as pessoas que estão ansiosas para contar nossas muitas histórias. Histórias importam. Muitas histórias importam. Histórias tem sido usadas para expropriar e tornar malígno. Mas histórias podem também ser usadas para capacitar e humanizar. Histórias podem destruir a dignidade de um povo, mas histórias também podem reparar essa dignidade perdida." - Chimamanda Adichie


Livros:
O Hibisco Roxo (2003) - Companhia das Letras
Meio Sol Amarelo (2006) - Companhia das Letras
A Coisa à Volta do Teu Pescoço (2009) - Dom Quixote
Americanah (2013) - Companhia das Letras
Sejamos todos feministas (2015) - Companhia das Letras

03-  Jeannette Walls


Jeannette Walls é uma das minhas escritoras preferidas e eu devorei absolutamente todos os livros escritos por ela. Mas vou falar apenas de um deles: O Castelo de Vidro. A autora sempre escondeu de todos o seu passado, mas quando resolveu contar sua história, ficou por sete anos na lista de best-seller do New York Times. Jeannette teve uma infância miserável. Ela e os irmãos vieram de uma família decadente: pai bêbado e uma mãe artista frustrada sem sucesso. Jeannette diz que não sentia falta de amor e que os pais criaram filhos independentes e talentosos, com habilidades para se virarem sozinhos e cuidarem uns dos outros. Porém, seus pais eram negligentes por deixar os filhos sem comida, sem uma estrutura mínima e por muitas vezes eles tinham que revirar o lixo da escola em busca de restos de comida para não morrerem de fome. Eles não tinham moradia fixa, viviam como nômades fugindo das situações mais extremas em que viveram até virarem sem-teto.
Jeannette e seus irmãos nunca deixaram-se abater ou tiveram pena um do outro. Trabalharam duro e lutaram juntos para vencer todas as dificuldades que lhe eram impostas. O Castelo de Vidro é um livro para amar e odiar. Você vai amar a determinação dessa família, seus sonhos e a maneira como demostram amor uns pelos outros, mas vai odiar a negligência e a irresponsabilidade dos pais. Você vai amar o modo como os pais dão liberdade para os filhos serem quem são, mas vai odiar as privações que eles impõem aos filhos.
Mas principalmente, você vai amar Jeannette e a determinação com que ela trilhou a vida e batalhou para chegar onde está.
O livro é a biografia da jornalista Jeannette Walls e mostra como ela aprendeu a extrair a beleza em meio a dor. É um livro lindo, chocante, revoltante e apaixonante ao mesmo tempo

“Escrever as memórias é como entregar a vida a alguém e dizer: eis pelo que passei, eis quem sou, talvez com isso você consiga aprender alguma coisa. É dividir honestamente o que pensamos, sentimos e sofremos. Se conseguir fazer isso com eficiência, alguém pode receber a sabedoria e os benefícios da sua experiência sem ter de vivê-la.” - Jeannette Walls

O livro "O Castelo de Vidro" deve virar filme e a atriz Jennifer Lawrence fará o papel de Jeannette Walls.

Livros:
O Castelo de Vidro (Nova Fronteira)
A Estrela de Prata (Globo Livros) << resenha aqui no Expresso
Cavalos Partidos (Nova Fronteira)

04- Lionel Schiver


Lionel está em um páreo duro com Jeannette na minha lista de autoras preferidas. Eu gostaria de ter um adjetivo para descrever a escrita da Lionel, mas não consigo dizer nada além de "fodástica". Quem já leu, há de concordar comigo. Seus livros parecem cutucar o leitor, é uma leitura inquietante, como se Lionel nos acertasse tapas sem mão bem no meio de nossas fuças. Tempos atrás estava tão incomodada com o que lia, que abandonei um livro dela na metade para refletir sobre o que eu estava fazendo da minha própria vida - nesse nível, gente!
Eu não sou capaz de indicar apenas UM livro da Lionel, então vou falar sobre o mais famoso deles: "Precisamos falar sobre o Kevin". Eu não fui capaz de resenhar para o blog, porque fica um imenso "nada a dizer" quando terminamos de ler essa obra. É um romance impactante, que te tira do eixo de um modo tão... tão... que não dá para explicar. A história trata sobre a visão de uma mãe atormentada pelo comportamento do filho desde seu nascimento até se tornar o autor de um massacre escolar. Ele é o sétimo livro da Lionel e ele foi recusado por mais de 30 editoras devido ao seu teor. Em 2005, no entanto, o livro ganhou o prêmio Orange Prize, na Grã-Bretanha.

Livros:
The Female of the Species (1986) - Penguin Books
Checker and the Derailleurs (1987) - Penguin Books
Ordinary Decent Criminal (1990) - Flamingo
Game Control (1994) - Harper Perennial
A Perfectly Good Family (1996) - Harper Perennial
Dupla Falta (1997) - Intrísseca
Precisamos Falar Sobre o Kevin (2003) - Intrísseca
O Mundo Pós-Aniversário (2007) - Intrísseca
Tempo é Dinheiro (2010) - Intrísseca
Grande Irmão (2013) - Intrísseca
A Nova República (2015) - Intrísseca (o único das edições brasileiras que não tenho e estou aceitando de presente - fica a dica)

05- Carolina Maria de Jesus


Outra autora que eu descobri no meu primeiro ano de faculdade e fiquei fascinada por ela.
Carolina foi uma mulher, negra, favelada e extremamente pobre que catava lixo e reciclava cadernos e folhas que encontrava para escrever seus diários. Quando a chamavam de "mendiga e suja”, ela dizia dizia que, embora andasse suja, não era mendiga: “Mendigos pedem dinheiro; eu peço livros”. A Vida de Carolina mudou quando foi descoberta pelo repórter Audálio Dantas, na favela do Canindé, em São Paulo. Enquanto ele preparava uma reportagem sobre um parque infantil, viu uma mulher negra de 43 anos gritando para os adultos que brincavam no tal parque: “Onde já se viu uma coisa dessas, uns homens grandes tomando brinquedo de criança! Deixe estar que eu vou botar vocês todos no meu livro!”. Como todo jornalista (essa raça ruim a qual pertencerei um dia, rs) ele foi atras dela e descobriu pilhas e pilhas de cadernos que ela escrevia, entre eles uma espécia de diário onde Carolina descrevia o dia-a-dia da vizinhança na favela. Carolina Maria de Jesus ficou mundialmente conhecida pelo seu livro "Quarto de Despejo", um clássico de nossa literatura, traduzido em 13 idiomas e com mais mais de 80 mil exemplares vendidos só no Brasil. Um best seller. 
Na década de 1990, o pesquisador brasileiro José Carlos Sebe Bom Meihy e o norte-americano Robert Levine, publicaram o livro "Cinderela negra: a saga de Carolina Maria de Jesus" (editora UFRJ, raro, esgotado, impossível de encontrar). Também publicaram duas coletâneas de inéditos da escritora.
Carolina escreveu todos os dia, até sua morte.
Não digam que fui rebotalho,
que vivi à margem da vida.
Digam que eu procurava trabalho,
mas fui sempre preterida.
Digam ao povo brasileiro
que meu sonho era ser escritora,
mas eu não tinha dinheiro
para pagar uma editora.
Livros:
Quarto de despejo (1960) - Ática
Casa de Alvenaria (1961) - P. de Azevedo - Não encontrado
Pedaços de fome (1963) - Aquila
Provérbios (1963) - (?) Não encontrado
Diário de Bitita (1982) - nova Fronteira
Onde Estaes Felicidade (2014) - eMe Parió Revolução

06- Alice Ruiz


Alice Ruiz é uma poetiza curitibana que começou a escrever contos com 9 anos de idade, mas só lançou seu primeiro livro aos 34 anos. Sua obra era secreta. 
Aos 22 anos, Alice se casou com o escritor Paulo Leminski, para quem mostrou seus escritos pela primeira vez na vida. Leminski ficou muito surpreso e encantado e comentou que ela escrevia haikais - Alice nem sabia o que eram haikais, mas apaixonou-se pela estrutura japonesa de fazer poemas e traduziu quatro livros de autores japoneses.
Alice publicou, até agora, 21 livros, entre poesia, traduções e uma história infantil. Alice ganhou 2 prêmios Jabutis: um com a obra "Vice Versos" e outro com  "Dois em Um". Ela teve poemas publicados em 6 países (Estados Unidos, Bélgica, México, Argentina, Espanha e Irlanda). Alice e Leminski tiveram três filhos: Miguel Ângelo Leminski, Áurea Alice Leminski e Estrela Ruiz Leminski - que também é escritora.

Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre
Livros:
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07- Marina Colasanti


Quando adolescente, lia muito Marina. Ela é responsável por várias decisões e boas escolhas que fiz na minha vida.  Eu sabia alguns de seus textos de cor e já briguei feio na internet por publicarem o texto "Eu sei, mas não devia" com o nome de outro autor. Ela é casada com um autor que eu aprendi a gostar com a minha avó, que me deu um livro dele: Affonso Romano de Sant'Anna.
Marina escreve para adultos e crianças, sua obra passeia pelas crônicas do cotidiano, poesias, contos ficção e textos jornalísticos. Ela tem 33 livros publicados. Dos infanto juvenis, meu preferido é "Ana Z.Aonde vai você?", dos adultos "Contos de amor Rasgados" e "Por falar em amor" ♥
Marina foi ganhadora do Prêmio Jabuti em 2010 pelo livro "Passageira em trânsito".

"A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma."

Livros:
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08- Simone de Beauvoir 


Eu tinha outras ideias para descrever nesse post, mas se estou indicando escritoras pelo dia da mulher, desculpem, não posso não falar de Simone! Se for para falar de mulher, de feminismo ou de filosofia, suas obras são de leitura obrigatória. O livro mais famoso dela, "O Segundo Sexo" é chamado de "Bíblia feminista". Todos os livros de Simone abordam temas existencialistas e sempre avaliam qual é o papel da mulher no mundo. Em seus romances (porque ela não escreveu apenas sobre feminismo) ela examinava o amor por diversos pontos de vista: o ciúme, a raiva, a frustração. Além de “O Segundo Sexo”, seus livros mais conhecidos são “Os Mandarins”, “A convidada”, “A cerimônia do adeus”, “A longa marcha”, “A mulher desiludida” e “As belas imagens”. Porém, o nome de Simone é mesmo um ícone do feminismo. Ela manteve um relacionamento com o filósofo existencialista Jean-Paul Sartre por toda a sua vida. Simone e Sartre se conheceram em 1929 quando Simone se graduou em filosofia. Desde então eles mantiveram um relacionamento aberto, que não era bem aceito na época, porque os dois se envolviam com outras pessoas e compartilhavam as experiências adquiridas (sério gente, poliamor hahaha) No livro "A Cerimonia do Adeus" publicado em 1981, Simone se despediu do companheiro que faleceu em 1980. Daí em diante Simone começou a abusar do álcool e de anfetaminas. Simone faleceu em abril de 1986, aos 78 anos e foi enterrada ao lado de Sartre ♥.

Não se pode escrever nada com indiferença

Livros:
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Eu ainda poderia listar Clarice Lispector, Cecília Meireles, Hilda Hist, Lya Luft dente outras... mas quis trazer nomes que vocês talvez não conheçam ou estivessem acostumados a compartilhar como frases de efeito no facebook!
Leiam Virgina Woolf, Sylvia Plath, Lygia Fagundes Teles, Isabel Allende... Leiam mulheres!

Feliz dia internacional da Mulher!

Carolina! Na verdade se chama Ana Carolina e não gosta de ser chamada de Ana. Não revela a idade, mas todo mundo diz que aparenta bem menos. Fotógrafa e estudante de Jornalismo. Mudou de área depois de anos insatisfeita com a profissão. Carioca, apaixonante e implicante. Carinha de 8, espírito de 80 anos. Chata, mal humorada e anti-social. Gosta de rimas simples, de frases bobas e é viciada em café. Na vida passada foi um gato tamanha preguiça. Tem mania de ter manias, coleciona coisas inúteis e acha ridículo isso de falar de si mesma em 3º pessoa.

 
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